| PRETO
NO BRANCO
O
AMADOR E O PROFISSIONAL DO ESPORTE (CLUBE EMPRESA )
Esportes
Amadores e Compromisso Social
Se considerarmos o investimento hoje efetuado nos esportes
amadores e na formação de novos atletas, podemos afirmar que
sem o investimento de uma empresa privada ou com o apoio da
iniciativa pública na forma de patrocínio é difícil e até impossível
manter os desportos amadores. Os Clubes que tem em seu quadro
esportivo o Futebol Profissional legam aos atletas amadores
a condição de dependentes da sobra de dinheiro ou ainda da contribuição
mensal de sócios, na maioria das vezes ínfimas devido ao pequeno
número de sócios pagantes.
O Botafogo de Futebol e Regatas não foge a regra, devido
a implantação na gestão de Mauro Nei Palmeiro, do caixa único,
e devido a importância do Futebol para os sócios e torcedores
do Clube, legou aos torcedores e sócios o fim do promissor time
de basquete do Clube no ano passado, em detrimento do pagamento
de salários de jogadores profissionais de futebol, muitos destes
de qualidade duvidosa, tanto que muitos deles nem entraram em
campo no ano de 2001.
A pergunta que se faz, é:
Valeu a Pena em detrimento do Futebol ter acabado com
um time de basquete que estava dando lucros mesmo que indiretos
ao Clube. Você deve estar curioso quanto a que tipo de lucros
estava o Basquete dando? Então vamos lá, discorreremos alguns
pontos interessantes:
O time de
basquete em 2001 teve uma inserção de mídia maior que o Futebol
no mesmo período, divulgando não só os patrocinadores, como
também os atletas. Qual torcedor de futebol do Botafogo, que
a grande maioria, conhecia o Marcelinho antes do Basquete do
Botafogo? Poucos. E quantos torcedores de futebol ficaram empolgados
a tal ponto que muitos trocaram as arquibancadas do estádio
de futebol pelas quadras? Muitos. Quantas camisas de basquete
foram vendidas? Muitas. Será que estrategicamente foi inteligente
terminar com o time de basquete? Não. Você saberia explicitar
quanto o Botafogo deixou de arrecadas por meios indiretos, na
venda de chaveiros, camisas, títulos de sócio, etc. com o fim
do Basquete do Botafogo? Não.
Viram, foram perguntas fáceis e respostas óbvias.
Outro assunto muito importante e que devemos considerar
é a questão do Clube empresa.
Clube
Empresa
Vamos primeiramente discorrer sobre a alteração da Medida
Provisória 39, que adequa os Clubes a Legislação Comercial vigente.
A Lei que estará vigorando brevemente praticamente obriga
aos Clubes virarem empresa pois oferece a estes algumas benesses
de ordem relevante como por exemplo o acesso ao REFIS. Com o
clube virando empresa o Botafogo poderá recorrer ao REFIS para
renegociar suas dívidas fiscais, porém estipula um prazo de
90 dias para tal. Também oferece incentivos fiscais possibilitando
que Pessoas Físicas e Pessoas Jurídicas apliquem parte de seu
IR para projetos desportivos em benefício de crianças e adolescentes
carentes e ainda oferece uma linha de Crédito através de empréstimos,
financiamentos ou patrocínios de órgãos do Governo. O Clube
que não optar por virar empresa não terá acesso a nenhuma destas
oportunidades.
A pergunta é :
Só
isso resolve?
Toda
a empresa, até aquela em que você trabalha ou aquela que você
tem, mesmo que familiar, visa o lucro. Obviamente que você ou
um bom administrador quando adquire ou funda uma empresa, diminuirá
os gastos e investirá naqueles produtos que dão lucro. Aí você
pensa, ah! Mas se o Futebol dá lucro, este lucro pode ser investido
nos esportes amadores. Engano, pois como toda empresa este dinheiro
será re-investido em bens que traduzam mais lucro e conseqüentemente
os esportes amadores tendem a ser enfraquecidos ou esquecidos
até.
Existem torcedores de Futebol que acreditam, que o Botafogo
deve ser só Futebol, e esta idéia é compartilhada até pelo Presidente
Sr. Bebeto de Freitas. Sabemos da importância do Futebol para
a torcida gloriosa do Botafogo de Futebol e Regatas, mas mais
importante ainda é sabermos como botafoguenses que se não fosse
o Clube de Regatas Botafogo, não teríamos um símbolo ímpar no
esporte que é a nossa estrela solitária, e conseqüentemente
não seríamos conhecidos como o Clube da Estrela Solitária.
Não obstante sabemos que esta idéia de se criar a S/A
não é a solução corporativa que esperamos.
O Botafogo é um Clube caracterizado de utilidade pública
e o seu compromisso social deve ser incentivado na formação
de atletas e para desenvolvimento do desporto para toda a comunidade
do Rio de Janeiro, de forma gratuita quando se referir a propagação
do esporte para comunidades de baixa renda e de forma paga quando
destinadas a classes mais abastadas. O Botafogo deve ser propagado
pela cidade como difusor do esporte
junto a comunidade. Isto é, o papel social de um Clube
é fundamentalmente, ultrapassar os muros da sua sede social.
Com isto mais e mais o Botafogo seria inserido na comunidade
do Rio de Janeiro e sua função social finalmente seria exercida,
em contrapartida a marca Botafogo seria fortalecida junto a
estes jovens, formando opinião e levando a conseqüente valorização
da marca junto a Comunidade em busca da fidelização. Que forma
novos torcedores e atletas.
Não só isto, quanto mais a marca Botafogo for divulgada,
mais valorizada esta fica, o que evidencia contratos mais caros,
maiores participações em quotas de televisão e etc...
Portanto a questão é se o Clube virar empresa o que seria
dos Atletas Amadores?
É imperativo um conjunto de medidas que equacione estes
problemas do Clube e que dê perspectivas de crescimento, portanto
qual o conjunto de medidas poderiam ser tomadas para o sucesso
deste empreendimento?
A resposta é simples.
A
obrigatoriedade do Clube se tornar uma empresa comercial, obrigará
este a recolhimento de impostos federais que poderiam ser revertidos
para aplicação em investimentos de inserção de marca em eventos
esportivos e junto as comunidades, através de Projetos culturais
e esportivos em conjunto com a iniciativa privada ou incentivos
públicos.
Fundação
Cultural e Esportiva Botafogo de Futebol e Regatas
A Fundação Cultural e Esportiva Botafogo de Futebol e
Regatas, sendo criada terá a função fundamental de incentivar
a pratica dos esportes nas comunidades do Rio de Janeiro e do
Brasil, preservando a memória e a história do Botafogo de Futebol
e Regatas, através da criação de um Centro Cultural, onde estaria
concentrada toda a memória do Clube. Este ambiente seria criado
no cartão postal do Clube que é a sua sede de Gal. Severiano.
Este
seria totalmente restaurado e seriam criados ambientes com a
finalidade de se criar um intercâmbio maior do Clube com seus
torcedores e associados, isto é os consumidores da marca Botafogo.
Onde
se encontra o Salão seria construído um espaço multimídia para
os troféus do Clube, no sub-solo seria criada uma sala multi-uso
de padrão internacional, para palestras com profissionais do
Esporte e da Administração Esportiva, Conferências, Cursos,
Workshops, Projeção de Filmes etc. No terraço seria construído
um Café Bar envidraçado, não retirando as características do
prédio, a conversa informal das escadarias do palácio voltariam
com as tardes de conversa, onde ídolos do Clube contariam as
histórias que fazem do Botafogo um Clube com tantos apaixonados, além de outras atividades de ordem cultural. Isto é criar uma opção de lazer para os amantes do Clube,
onde estes pudessem trocar idéias, assistir a jogos antigos
comentados por ex-atletas que participaram destes, desenvolver
palestras sobre a prática do esporte e medicina esportiva, fomentar
bolsa de estudos para médicos de medicina esportiva se especializarem
no exterior, e o mais importante fomentar o esporte amador no
Botafogo de Futebol e Regatas e muitas outras atividades esportivas
e culturais que criariam um intercâmbio maior entre o Clube
e seus torcedores, sócios e consumidores.
E o mais importante, sem utilizar os investimentos do
Clube, mas sim através de projetos com incentivos governamentais
e de instituições privadas que seriam parceiras nos projetos
desenvolvidos pela Fundação.
Qual o Botafoguense que não gostaria de assistir a final
de 1948 e ouvir os comentários maravilhosos de Nilton Santos
sobre aquele jogo ou aquele campeonato.
Quem
não gostaria de ouvir Amarildo, Zagalo, Gerson, Afonsinho e
outros tantos ídolos contando curiosidades sobre este Clube
maravilhoso que é o Botafogo numa tarde nas escadarias do Palácio
de Gal Severiano.
Qual
o Botafoguense que não teria orgulho em levar seu filho para
um ambiente onde este pudesse saber a história do seu Clube.
A
Solução
Com
um conjunto de ações como a renegociação das dívidas, através
de ações corporativas, isto é com uma linha de credito para
renegociação das dívidas trabalhistas, comerciais e fiscais
( No caso o REFIS ), com uma linha de credito para o desenvolvimento
de seus recursos financeiros, através da construção do Pier
no Mourico Mar, do Centro de Treinamento com Concentração, da
venda de títulos para novos associados, com a profissionalização
de sua mão-de-obra e uma profunda reestruturação, o Botafogo
poderá com recursos próprios manter sua estrutura. E a Fundação
terá papel fundamental para a divulgação da Marca Botafogo,
junto a comunidade e ainda como suporte para o desenvolvimento
do desporto amador. Com isto, os custos relativos a Marketing
e com os desportos amadores seriam indiretamente internalizados
pela Fundação.
É
claro, que estas ações viriam com muitas outras, mas o que quero
é mostrar como uma idéia simples como a preservação da memória,
que é o patrimônio maior de um Clube, pode fomentar uma gama
de possibilidades. Existem Clubes Europeus que conseguem arrecadar
aproximadamente 2 milhões de dólares, somente com a visita a
museus esportivos.
O
papel do MITOB também é este, achar soluções para que o Botafogo
de Futebol e Regatas venha a ser o maior Clube do Brasil., discutindo
os assuntos relativos ao Botafogo com responsabilidade, criatividade,
honestidade, transparência e acima de tudo por amor à Gloriosa
Estrela que nos conduz.
Marcus
Marmello
Núcleo Mitob
– São Paulo


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